Trabalhos, pesquisas, textos. Pequeno acervo do que aprendo.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Resenha: Pedagogia da Autonomia - Paulo Freire

O pedagogo Paulo Freire escreveu o livro Pedagogia da Autonomia explicitando razões em que se baseou para analisar a prática do professor relacionando à autonomia do educando. Diz também sobre a necessidade de conhecermos a carga cultural que o aluno trás para a sala de aula. O educador deve compreender que "formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas". Ele defende sua tese de que o professor deve buscar uma postura ética, que chama de “ética universal do ser humano", e julga altamente necessário ao trabalho docente.

Não há maneira de buscar e assumir posturas de procura, de decisão, de ruptura, de opção, se não assumirmos postura ética. E devemos lutar sempre para a busca deste ética, fator importante tanto para se trabalhamos com crianças, jovens ou adultos, este postura deve sempre estar presente e em estado evolutivo.

Freire também comenta fatores que considera essenciais para a prática docente, ao mesmo tempo que leva o leitor a criticar-se e inserir pontos importante ao seu trabalho. Afirma que "não há docência sem discência", porque "quem forma se forma e reforma ao formar, e quem é formado forma-se e forma ao ser formado". Parece um trava línguas, mas este enunciado diz que ensinar não depende exclusivamente do professor, assim como aprendizagem não é algo apenas de aluno. "Não há docência sem discência, as duas se explicam, e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar, e quem aprende ensina ao aprender".

Explica e exemplifica seu pensamento de que o professor não é melhor que o aluno, nem é superior somente pelo fato de ser conhecedor de alguns assuntos que o discente ainda não domina. Ambos compartilham o processo de ensino e de aprendizagem.

Ele analisa fatores que o levam a crer e julgar absolutamente necessário que o educador esteja em constante aprendizagem. O educador deve ser pesquisador, curioso e buscar sempre novos métodos, saberes e pontos de vista. Deve desenvolver seu olhar crítico e compará-lo aos de quem também observa de outro ângulo, sabendo assimilar, questionar, argumentar e aplicar tudo isso em sua prática educativa. Diz que "não há ensino sem pesquisa nem pesquisa sem ensino". Saber pesquisar e buscar só será totalmente intrínseco no ser docente no momento em que ele souber, também, duvidar de suas próprias perspectivas e opiniões, somente assim ele saberá trabalhar com esse objetivo os seus alunos.

O educador que pensa de maneira correta, certo deixa transparecer aos educandos que uma das bonitezas de nossa maneira de estar no mundo e com o mundo, como seres históricos, é a capacidade de, intervindo no mundo, conhecer o mundo. O aluno e o professor trabalham com dois momentos ao tratarem do ato da pesquisa e da busca: o momento em que buscam para o aperfeiçoamento do conhecimento existente e o momento em que buscam para a obtenção de novos conhecimentos.

O ato de ensinar exige a aceitação de riscos e desafios para que haja uma evolução cognitiva enriquecedora. Deve rejeitar a discriminação de fatos e indivíduos quando dizemos respeito à raça, classes, religião e opinião. Isso nos mostra o quando devemos respeitar a identidade dos alunos, o quanto devemos perceber, respeitar e aproveitar a carga cultural que ele nos trás.

Esse respeito à identidade e à autonomia do discente não deve ser um escolha à dedo, deve ser a todos, com igualdade, pois escolher a quem o respeito é destinado também é um desrespeito à ética. Outra forma de desrespeito se dá quando há uma repressão à curiosidade do educando, ao seus gostos e a sua linguagem; o professor não deve jamais mandar que "ele se ponha em seu lugar", pois isso fere a autoestima do educando.

É de suma importância que educador e educando dividam e investiguem suas curiosidades. "É preciso, indispensável mesmo, que o professor se ache repousado no saber de que a pedra fundamental é a curiosidade do ser humano". Há a necessidade da busca pela experiência, pelo diálogo e pelos momentos de liberdade de expressão em que ambos devem estar dispostos a ouvir e debater, usando argumentos tangíveis à realidade. Para que isso aconteça é preciso amar o que se está disposto a fazer: educar. Educar sabendo que o indivíduo a quem se o seu lado está em constante desenvolvimento de suas habilidades mentais e físicas e que, deve dedicar-se, doar-se e trocar experiências, gostar de aprender e de incentivar a aprendizagem, um sentir prazer em ver o aluno descobrindo o conhecimento.

A capacidade que a experiência pedagógica tem de despertar, estimular e desenvolver em todos a alegria em aprender e almejar cada vez mais a aprendizagem. Sem a prática pedagógica na aprendizagem, nada faz sentido. É esta força misteriosa, às vezes chamada de dom, que explica a quase devoção com que a grande maioria do magistério nele permanece, apesar dos baixos salários e muitas vezes do desrespeito ao docente. Apesar dos desafios e obstáculos, o educador permanece e se abastece fazendo seu papel de forma criativa e prazeroza.

Por fim, no livro Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire expõe os saberes que considera necessários à prática educativa, orienta e incentiva os educadores e educadoras a refletirem sobre suas práticas pedagógicos, modificando o necessário, criticando a si próprio, buscando além de seus conhecimentos e opinião e aperfeiçoando o trabalho, para uma aula cada dia melhor.

por Letícia Teixeira Rocha.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Ensinar não é transferir conhecimento

por Letícia Teixeira Rocha

O livro Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire, é destinado a todo educador  preocupado com o verdadeiro processo ensino/aprendizagem e com o amor ao saber, à construção e incentivo à autonomia de pensamento crítico na visão sobre o mundo. Ele enfatiza, primordialmente, a valorização pelos saberes que o aluno trás da vida para a escola.
No capítulo dois, Paulo Freire frisa o que está explícito em seu título: “Ensinar não é transferir conhecimento”. Diz que não devemos de forma alguma nos sentir autoridades “soberanas” em sala de aula. Como futura educadora, concordo plenamente quando ele diz que a prática educativa deve respeitar opiniões.
O educador deve aprender com o educando. A integração entre professor-aluno é fundamental para a orientação da construção da sabedoria e da prática reflexiva. Fazer com que o educando o leve para sua realidade é a melhor forma de aprender o melhor trajeto para o êxito na aprendizagem.
Portanto, ser autônomo é considerar problemas e fatores, saber analisar, refletir, criticar e escolher o melhor caminho a seguir. Considerar também o olhar do próximo, pois ser autônomo está longe de ser egocêntrico: o cooperativismo é fundamental.


FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

sábado, 5 de junho de 2010

Kafka, inseto?!



      Muitos podem achar estranho ou nojento, mas uma das obras mais famosas do nosso glorioso Franz Kafka é protagonizada por tal: A Metamorfose.
      Gregório, um homem de meia idade, solteiro e financeiramente responsável por sua família, certo dia acorda repentinamente sob a forma de um inseto! Impossibilitado de exercer suas atividades comuns do dia a dia, como o trabalho, ele passa a possuir um sentimento imenso de culpa por não poder mais dar apoio à sua família. Sentimento este presente em várias de suas obras e que, de acordo com alguns estudiosos, tenha sido ocasionado pela morte prematura de dois irmãos mais novos.
      Outro sentimento muito presente tanto em sua vida quanto nas obras é a insegurança e a tristeza. Como no próprio A Metamorfose, o personagem principal se sente magoado, pois seus pais passam a sentir repulsão mesmo sabendo que é o filho deles na forma do inseto. Muitas vezes até o agredindo fisicamente, o que mostra claramente que, para a família, ele significava apenas seu sustento. Ao desenrolar da trama, a própria família passa a sofrer certa metamorfose, quando todos tem que passar a trabalhar e modificar suas rotinas.
      Devemos perceber que, no decorrer da história, Gregório não se dá conta que é um inseto, ele somente percebe sua forma diferenciada e, com o tempo, passa a se acostumar com isso sem nem saber como nem porque é. Uma excelente crítica à forma da sociedade e como as pessoas lidam com isso.
      Então se você, curioso, gostaria de uma leitura divertida, não aconselho. Mas se está um pouco a fim de refletir, este é um ótimo pedido!
por Lisa Stér Cöy
(ou Letícia Teixeira Rocha).




E quem não pode aprender?!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

EJA - Educação de Jovens e Adultos

Histórico da lei e importância para a educação
por Letícia Teixeira Rocha


Os Estados – Partes do presente Pacto reconhecem que, com o objetivo de assegurar o pleno exercício desse direito: a educação primária deverá ser obrigatória e acessível gratuitamente a todos; a educação
secundária em suas diferentes formas, inclusive a educação secundária técnica e profissional, deverá ser generalizada e tornar-se acessível a todos, por todos os meios apropriados e, principalmente, pela
implementação progressiva do ensino gratuito; (...); dever-se-á fomentar e intensificar na medida do possível, a educação de base para aquelas pessoas que não receberam educação primária ou não concluíram o ciclo
completo da educação primária. (ex artigo 13, 1,d do Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da Assembleia Geral da ONU de 16.12.66, aprovado, no Brasil, pelo decreto legislativo n. 226 e promulgado pelo decreto n. 591 de 7.7.92)



     Toda iniciativa do governo em elaboração de leis e projetos é baseada no contexto histórico-social do meio que representam. É óbvio que para que sejam aplicadas é preciso esforço e cobrança tanto de quem as cria quanto de quem é beneficiado com a mesma.
      Se voltarmos um pouco no tempo, perceberemos que nosso país é novo em matéria de descoberta e mais novo ainda se formos considerar a partir da independência, ou seja, quando deixou de ser colônia. E desde que o homem existe há muito preconceito e exclusão social. A educação, portanto, não ficou por fora dessa história. Aliás, foi o que faltou para a evolução dos restantes setores.
      A educação era para poucos. Somente aqueles ricos ou de pais gabaritados podiam estudar ou tinham condições de se deslocar para outros municípios ou estados em busca de conhecimento. Já pobres, escravos, índios e descendentes dos mesmos não tinham esse mesmo privilégio. O tempo passou e eles continuaram sem ter acesso a esses conhecimentos.
      Hoje, sabendo que ainda há muitos desses indivíduos na ignorância, alguns deles até alfabetizados, porém não letrados ou vice-versa, decidiu-se implantar uma modalidade de ensino específica para esses jovens e adultos: o EJA.
Educação para Jovens e Adultos, de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais, busca atender aos indivíduos fora da idade referente ao período de escolaridade em que se encontram e está voltado à faixa etária superior a 17 anos. No Ensino Fundamental, Ensino Médio e cursos profissionalizantes.
      Tem como principal objetivo alfabetizar, letrar, politizar e inserir todos os cidadãos brasileiros na sociedade e no mercado de trabalho. Tem compromisso com a formação humana, acesso à cultura e relações sociais.
      O EJA é mobilizado em prol do educando-trabalhador, para que ele seja capaz de “aprender, refletir criticamente, agir com responsabilidade individual e coletiva, participar do trabalho e da vida coletiva, comportar-se de forma solidária, acompanhar as mudanças sociais, enfrentar problemas novos construindo soluções originais com agilidade e rapidez, a partir de métodos de conhecimentos científicos, tecnológicos e sócio-culturais.” 



E quem não pode aprender?

Aprendo logo transmito - Apresentação

Olá,

     Me chamo Letícia, sou educadora. Dentre outros atributos e profissões, o que lhes importa e interessa neste blog é somente este.
     Formada pelo Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho, atuo na Educação Infantil e 1º segmento do Ensino Fundamental.
     Crio este blog para postar meus trabalhos, pesquisas, textos e disseminar tudo que aprendo, afinal, como sempre digo, "Penso logo existo; aprendo logo transmito."

E quem não pode aprender?!